Tu és meu Pai!

Tu és meu Pai!

Na cor azul do teu olhar cansado,
Doce remanso a espargir amor,
No brilho vítreo, desse olhar amado,
Leio-te a alma, meu pai, meu confessor!

Das tuas mãos, todo carinho tive;
Mãos laboriosas, pro trabalho prontas.
Tão grandes mãos, amparo no declive,
Mãos que os trabalhos colocaram tontas!

No teu semblante, vejo o meu semblante:
Os mesmos olhos, na mesma feição…
Se sou assim, de ti, tão semelhante,
É igual ao teu também meu coração.

Lembro-me ainda, quando era menina,
Nesta lembrança em que minh’alma pousa,
As belas tardes – que coisa divina!
Que nós passávamos no Paula Souza!

Tão pequenina era, mas, recordo,
Daquelas matas não tinha medo não…
Não tinha medo – com isto concordo -
Por estar segura pela tua mão.

Mas, que aflição! Um dia nos perdemos,
Naquelas matas tão acolhedoras…
Ah!… de repente, com o caminho demos.
Belas surpresas, tão encantadoras!

Lembro a varanda, sempre onde ecoava,
O acorde doce da nossa canção,
E “A Marambaia” eu então cantava,
Acompanhada por teu violão.

A minha vida era uma canção…
Eu te adorava, sem te dar descanso!
Se não estavas, eu brincava, então,
Voando, como os anjos, no balanço!

Me amavas muito, pai, e preferida,
Eu abusava, até, dos meus direitos.
Sabia ser amada, ser querida,
- Pra você eu não tinha defeitos –

Quando sorrias, com teu ar de monge,
Adivinhando tudo, muito esperta,
Sabia que tu, me levarias longe,
A passear em tua bicicleta.

Com tão pouco, feliz, eu exultava!
Estar contigo, pra mim era a glória.
O tempo, ligeiro, então passava,
Cada passeio era uma vitória!

Te orgulhavas de mim, meu pai querido!
Linda menina eu era… e muito prosa,
Mesmo metida num simples vestido,
Sabia ser pra ti a mais formosa!

Sei que também recordas com saudade,
Aquele tempo de encantamento!
Tempo feliz, de tua mocidade,
Que se esfumou, levado pelo vento!

Todos os sonhos, que juntos sonhamos,
Se perpetuam na nossa lembrança;
Outrora, tão felizes, olvidamos,
Que deixarias de ser jovem, e eu criança!

Nada nos resta, mais que esta lembrança,
Que esta saudade, que este triste apelo:
Se no passado, fui tua criança,
Hoje és meu velho, de branco cabelo!

*** MÍRIAN WARTTUSCH ***

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